Análise: “Fantástico” se transforma em mais uma atração de entretenimento da Globo

Por muitos anos, o programa “Fantástico” se destacou na televisão brasileira como uma revista eletrônica que encerrava o domingo com um mix abrangente de reportagens impactantes, investigações jornalísticas, temas de comportamento, ciência e entretenimento de qualidade. Essa produção sempre teve uma essência híbrida, mas mantinha um equilíbrio evidente entre informação e espetáculo.

<pEntretanto, essa dinâmica parece ter se alterado nos últimos tempos. O programa tem destinado cada vez mais espaço para a promoção dos próprios conteúdos da Globo, apresentando os bastidores de novelas, realities e outras produções da emissora. Embora essa abordagem faça sentido sob a perspectiva comercial — já que a emissora precisa divulgar seu material —, o problema surge quando essa autopromoção começa a ocupar o lugar das reportagens relevantes que antes eram uma marca registrada do programa.

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A impressão que fica é a de que o “Fantástico” deixou de ser uma exceção na programação dominical, passando a se alinhar mais com a identidade dos outros programas da emissora.

É interessante notar que existe atualmente uma semelhança editorial significativa entre atrações bastante distintas. Programas como “Encontro”, “É de Casa”, “Esporte Espetacular”, “Domingão com Huck” e até mesmo o “Fantástico” parecem seguir uma linha semelhante: histórias inspiradoras, bem-estar, comportamento humano e superação, além da promoção dos produtos da Globo.

Essa padronização resulta na perda da identidade singular que cada programa poderia ter. Às vezes, parece que basta trocar os apresentadores para permitir que certos quadros sejam exibidos em qualquer um desses programas dominicais.

No entanto, isso não significa que o “Fantástico” tenha deixado o jornalismo para trás. O programa continua a produzir investigações valiosas e reportagens significativas, embora elas não tenham mais o destaque central que possuíam em sua trajetória histórica.

A percepção nas redes sociais é crescente ao afirmar que a revista eletrônica está mais voltada para o entretenimento do que para os pilares jornalísticos que a tornaram famosa.

No final das contas, a questão não reside apenas em saber se o “Fantástico” melhorou ou piorou ao longo do tempo. A verdadeira questão é como sua função mudou dentro da estratégia da Globo. Antes visto como um fechamento jornalístico importante da semana, hoje parece ser apenas mais uma peça dentro de uma programação dominical com uma linguagem unificada — mais leve e emocional — fortemente ligada aos conteúdos produzidos pela própria emissora.

By Nana Rude

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